Ao observarmos ao longo dos séculos percebemos que há uma grande diferença entre a época moderna e século XIX e começo do século XX, onde as relações “amorosas” estabelecidas muitas vezes vinham cedo na vida do jovem, com interesse em uma relação econômica/social.
Então, relações ocorriam até mesmo sem os jovens se conhecerem ou sem nenhum contato físico, sendo que os parceiros eram escolhidos pelos pais, os quais arranjavam casamentos com intuito financeiro e de posição social. Sempre com muita tradição familiares e obrigações morais, os casamentos realizados eram impossibilitados de terminarem.
Ao longo do tempo os relacionamentos, ou as constituições familiares começam a ser diferenciados pela presença do amor romântico, o qual muda a visão do intuito das relações.
As relações então começam a ter um sentido afetivo, onde o desejo do individuo é levado em conta, sendo este atraído pelo parceiro através da simpatia, atração física, correspondência afetiva, e ainda sim há o interesse na classe ou grupo social, porem desta vez.
Assim observa-se que nesta mudança na busca pelo parceiro, há a procura pelo no “bom partido”, que tem requisitos socioeconômicos e pessoais, por grupos de idade, classe social, tipo de educação, religião, tipo racial, etc. então, mesmo que não igual a tempos passados algumas regras tradicionais e preliminares ao namoro persistiram, mesmo não obedecidas totalmente.
Essas diferenciações nas atitudes de pré-namoro, sexuais e nos namoros, casamentos e noivados foram evoluindo pela evolução de diversos fatores, como: meios de transporte; emancipação da mulher; maior escolarização; ambos os sexos com profissionalização; varias opções de lazer; formação de lugares urbanos para ambos os sexos (bares, baladas,...); inovação dos métodos anticontraceptivos; permissão de divórcios; novas vestimentas; avanço dos meios de comunicação; entre outros.
O início das escolhas amorosas iniciou-se nos séculos 30, 40 e 50, com o footing, onde moças com suas amigas avaliavam seu tipo de interesse nos rapazes, ocorrendo um flirt, mais conhecido como flerte, onde tem-se a sedução por olhares, sorrisos e gestos.
A partir das revoluções recorrentes da 2º guerra mundial renova-se o conceito sobre a sexualidade humana, não sendo necessário apenas para reprodução, sendo levado em conta com liberdade de atração e sentimentos.
Hoje já se percebe que desde crianças a o estimulo de corresponde o que a sociedade espera, havendo desde cedo brincadeirinhas de namoradinhos na escola, vendo então que está é algo natural para a sociedade. Aprende-se que há uma diferença entre sentimentos entre aquela menina ou aquele menino.
As relações passam a ser mais fluidas, breves, instantâneas, diversificadas e instáveis a partir da aceleração do tempo, e quebras das fronteiras geográficas e psicossociais, tendo-se então sujeitos buscando menos sentimentos e mais objetividade, onde mulheres ficam mais masculinizadas com maior individualização e busca de seus prazeres. Porem ainda sim há uma busca pelo heroísmo, onde principalmente meninas buscam seu príncipe encantado.
Além disso nossa sociedade atual tem o isolacionismo, tornando a individualização algo perigoso nas relações e aproximações mais íntimas.
Pesar da constante aprendizagem amorosa ao longo da vida do sujeito, ele só se dá conta disso quando esta a procura de seu parceiro, para ficar com quem também busca por ele. Isso começa a ocorrer quando há liberdade do adolescente sair sozinho. O jogo amoroso começa de forma sutil como um flerte, e ao longo da experiência do jovem ele se torna menos sutil.
Na adolescência se inicia a busca pelo sexo oposto, o que ajuda no equilíbrio emocional e na formação da personalidade fazendo até bem para o coração e outros órgãos.
O que antes não era um namoro sério hoje se aproxima do “ficar”, onde o relacionamento é para diversão, porem antes havia mais exigências quanto a durabilidade e fidelidade, havendo mais trocas de sentimentos.
O “ficar” é para uma realização dos desejos imediatos, um desdobramento da paquera, sendo um jogo erótico realizado a partir das formas básicas e preliminares de relacionamento afetivo e sexual entre os adolescentes, onde exercitam suas competências sexuais, sua auto-estima e vão adquirindo experiências. Pode receber também o nome (entre os adolescentes) de “morder, beliscar” (conotação de desejo).
Já o namoro pressupõe a exigência de permanência, de mais consistência na relação.
Em vista da nova realidade do jogo amoroso, como o “ficar”, ocorreram transformações também nas atividades constitutivas do relacionamento amoroso. Regras de antigamente foram transgredidas e contestadas pelas gerações do pósguerra, tendo quase sempre a intenção de um breve e passageiro relacionamento.
Em uma só e mesma noite podem acontecer trocas de carícias, abraços, beijos e mesmo “transar”, ou seja, troca de carinhos por um período curto sem compromisso de namoro. Alguns podem continuar juntos e, depois de uns “rolos” (“ficar” junto alguns dias, semanas, vendo se a relação vai dar certo), transformarem sua relação em namoro ou futuro casamento.
Ainda se vê uma discriminação entre meninos e meninas, onde meninas que ficam com vários meninos, é “galinha”, havendo uma rejeição desta. Porem, quando um menino fica com varias meninas, é “pegador”, havendo uma valorização do mesmo entre amigos e até mesmo entre meninas.
A proibição que pode ocorrer pelos pais não trará muitas soluções, está hora é necessário para o adolescente que provavelmente irá fazê-lo da mesma forma, podendo ser escondido, pois nesta época há envolvimento afetivo-sexual, diferentemente de quando se é criança recebendo carinhos de forma passiva.
Na cultura ocidental, existem modelos sociais diferentes para a menina e para o menino. Para a adolescente mulher, por exemplo, é esperado que ela desempenhe a um determinado papel feminino em sua relação amorosa, onde lhe é ensinado que ela precisa aprender a conquistar o sexo oposto devagar, seduzindo-o, sem declarações muito abertas. Para o menino, também cabem, hoje, o uso artifícios de sedução, e além dos produtos consumíveis, existe, para ambos, o “culto ao corpo”, que deve ser bonito e “bem malhado”.
Porém, como nem tudo é mil maravilhas a todo momento se vê que mesmo sendo considerado, pelos jovens, tão bom “ficar”, a falta de uma perspectiva de futuro produz uma sensação de desamparo e insegurança; e quando se pensa em quão bom é namorar e casar, se pensa em uma vida muito limitada e pesada pelos compromissos assumidos, encargos domésticos e dificuldades na convivência diária sendo esse por tanto um preço a se pagar para ter a segurança desejada.
Sendo assim, se por um lado é atraente o ideário do amor romântico, pela promessa de segurança, confiabilidade, fidelidade, durabilidade e outras vantagens, por outro, também é fascinante a promessa da maior independência, autonomia, realização, diversidade e outras coisas com as quais o amor confluente acena.
Enfim, o dilema e os sofrimentos do romance ou do “ficar” sempre estão existentes dentro dos adolescentes que querem sempre buscar o preenchimento total de seus desejos, e ao se deparar com esta impossibilidade de perfeição, há um sofrimento, quase sempre exagerado e amplificado de suas emoções e sentimentos.
Referências:
ALVES, J. C. Garotas e garotos – a dança da diferença. 1ª ed. São Paulo: Moderna, 1997 – (Qual é o grilo?)
AZEVEDO, T. As regras do namoro à antiga: aproximações socioculturais. São Paulo: Ática, 1986.
SILVA, S.P. Considerações sobre o relacionamento amoroso entre adolescente. Cad. Cedes, 2002, 57(22):23-43.
GALLATIN, J. (1978). Adolescência e Individualidade: uma abordagem conceitual da psicologia da adolescência. São Paulo: Harper & Row do Brasil.
Autores:
Ana Cristina,Bárbara,Jussara,Nathália,Regiane,Stephanie.