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Adolescência: Escolha Profissional e Prmeiro Emprego

12-11-2010 09:49

 

Adolescência é o período do desenvolvimento humano compreendido dos 12 e 18 anos para as meninas e dos 14 aos 20 anos para os meninos, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990).

A palavra adolescência surgiu no final do século XIII, designando os anos posteriores à infância, este ausente dos dicionários da língua portuguesa até o século XIX, porém o termo é encontrão desde a antiguidade, em manuais de medicina, associa a segunda idade do homem, sendo a primeira a infância. (ARIÈS, 1960).

Durante toda a infância, observamos uma relação de completa dependência do indivíduo em relação aos pais e a família, porém, ao entrar na adolescência, depara-se com o conflito de seus ideais versus a realidade, onde é pressionada a deixar de ser criança para ser um adulto. De acordo com Tripoli (1998), podemos entender que esta fase é um período de transição da dependência infantil para a auto-suficiência adulta, a fase final da infância, que se completa definitivamente através da subordinação de suas identificações da infância a um novo tipo de identificação, obtida nas experiências em sociedade.

 

JUVENTUDE E TRABALHO: CONTEXTO HISTÓRICO

 A juventude sempre suscitou reações ambivalentes e foi, em diferentes épocas, percebida e vivenciada de forma específica, segundo o grupo social no qual jovem estava inserido. Segundo Ariès (1960), entre o feudalismo e industrialização ia-se diretamente da infância à idade adulta, sem passar pela adolescência. Somente a partir do século XVIII, conceitos como adolescência e juventude começaram efetivamente se consolidar graças aos avanços da Pedagogia, Medicina e Filosofia.

No Brasil o termo adolescência consolidou-se somente a partir do século XIX, sobretudo em relatos referentes a primeira comunhão, aumento da escolarização, da passagem para o curso ginasial, e o recrutamento e entrada no mundo do trabalho como aprendiz.

Temos poucas informações sobre os adolescentes nos primeiros séculos de colonização, por um simples motivo: estavam todos trabalhando. A atividade econômica basicamente rural exigia braços fortes para a lavoura desde muito cedo. Por isso rapazes e moças, tendo forças para levantar a enxada, capinar mato ou desempenhar qualquer outro serviço agrícola, iam direto trabalhar. A pobreza e a falta de escolarização os empurravam para esse meio de vida. Os casamentos processos, entre 11 e 14 anos, roubavam as moças de sua adolescência e os rapazes eram subtraídos de suas famílias pelo recrutamento compulsório para as guerras, tornando-se soldados, ou viam-se obrigados a ser lavradores escravos, e mais tarde, operários.

N século XIX, com a implementação da indústria no Brasil, o trabalho dos jovens (transformados em proletários) apresentavam-se como “ajuda econômica” que vinha reforçar o orçamento doméstico. A fabrica era considerada, por patrões e pais de uma família, uma escola, um lugar que podia formar cidadão do futuro. Embora, na mesma época, uma lei proibisse o trabalho de adolescentes de 15 e 16 anos, a legislação só se consolidou com as Leis do Trabalho, em 1943. Enquanto isso milhares de rapazes e moças ficaram sem espaço para passar pelos rituais da Adolescência, vivendo entre teares e máquinas.

A relação entre pais e filhos era perpassada pelo sentimento de posse. Em decorrência disso, os pais se sentiam no direito de usufruir do trabalho e de determinar o destino dos filhos. A esses cabiam apenas dever e obediência. Os comportamentos e atitudes adultos eram impostos aos adolescentes, dado que eram considerados socialmente, paradigmas de conduta.

Por muito tempo a noção de adolescência foi conotada negativamente, o século XX inaugurou uma fase positiva e uma nova leitura da idade. No final do século, a juventude se transformou em obsessão e utopia. As sociedades contemporâneas querem ser jovens. Ser jovem não se opõe mais e ser adulto, mas a ser velho – sinônimo de fim e impossível conversão. Os adultos recusam os cabelos brancos e a sabedoria que vem com o tempo e a experiência. Os anos não designam mais certos papeis ou status, e sim processos ritmados pelas crises. A infância é aquela da qual todos querem sair, enquanto a adolescência consagra-se às experiências necessárias para a entrada na idade adulta, e esta se torna um aprofundamento da maturidade.

Nos anos 30, por exemplo, os jovens estiveram associados ao poder; eram recrutados para os exércitos de Hitler, Mussolini e Stalin. Temidos, treinados na delação e nas artes da violência, simbolizaram horror para seus inimigos e orgulho dos pais que viviam sob tais regimes. Já na década de 50, com a expansão do consumo no Ocidente, a juventude se tornou um mercado, foi o início da época da Lambreta, do Jeans, do cigarro, de ídolos como James Dean e da associação da mocidade com a velocidade e as infrações.

Outra mudança que observamos, sobretudo na segunda metade do século XX, foi da relação entre educação formal e preparação para o trabalho. A família enviava      seus filhos para escola para que estes fossem educados para uma inserção social e profissional e por muito as escolas cumpriram com louvor seu papel de disciplinar e docilizar, características necessárias no regime taylorista-fordista, modo de gestão que imperava nas fábricas entre os anos 40 e 90 (FOUCAULT, 1987).

 

AS TRANFORMAÇÕES DO SISTEMAPorém, no início dos anos 90, constatou-se uma mudança de paradigmas, a implantação e difusão da informatização e dos novos processos tecnológicos, as empresas passaram a fazer outras exigências de contratação. Flexibilidade, capacidade de resolução de problemas, criatividade, autonomia, tornaram-se requisitos das empresas à contratação, além da Experiência Profissional e da qualificação escolar formal, ou seja, a escola tradicionalmente fundamentada para atender as necessidades do capitalismo taylorista-fordista, não atendia mais as necessidades do sistema, sendo necessária então a adoção de novas instituições, essas especializadas na formação da nova mão de obra requisitada. Surgem então, diversos cursos de formação técnica, nas mais diferentes áreas, com o intuito de suprir o novo sistema.

Em conseqüência disto, configurou-se um modo de trabalho mais flexível, atingindo nosso modo de viver e nos constituir. No entanto apesar da noção de que o novo modelo liberdade às pessoas, tem-se claro que essa flexibilização impõe novas formas de controle dos indivíduos (Sennet, 1999), trazendo consigo uma onda considerável de subempregos e desemprego em massa, substituindo, parcialmente, o processo de vida linear que era sustentado pela premissa da garantia de inserção social, presente no modelo antigo.

Diante desse quadro, a dúvida sobre como construir os caminhos futuros e sobre os riscos que valem uma aposta promove ansiedade. Aqui encontra-se a questão da adolescência contemporânea, pois nos jovens, há a exigência de inserção e mudança de status social através do trabalho, num mercado que, pela própria forma como é constituído, ao fechar suas portas, lhes nega esse lugar.

 

OS DESAFIOS DA ESCOLHA PROFISSIONAL

na adolescência, de acordo com Zagury (1996), “o jovem luta contra a incerteza, insegurança, falta de confiança e a dúvida de qual o melhor caminho que deve seguir na sua vida profissional, e muitas vezes a desmotivação gerada por esta pressão misturada com o problema da escolha profissional ser feita precocemente (na faixa dos dezesseis anos) talvez explicasse enganos nas suas decisões”.

  Uma forma de diminuir a pressão é saber que essa escolha profissional não é necessariamente definitiva. Novos caminhos vão surgir durante a faculdade, o mercado de trabalho pode exigir adaptações ou uma grande guinada na carreira. "A faculdade deve ser encarada como a escolha de uma plataforma, um alicerce para a construção da vida profissional", afirma Rubens Gimael, especialista em desenvolvimento de carreira da NeoConsulting. Escolher uma profissão representa esboçar um projeto de vida, questionar valores, as habilidades, o que se gosta de fazer, a qualidade de vida que se pretende ter. E esse momento de reflexão pode render bem mais quando é compartilhado com a família. “Os pais possuem uma responsabilidade muito grande em relação às preferências vocacionais de seus filhos, pois logo cedo à criança que se identifica com seus pais manifestará bem cedo as preferências que os pais valorizam” (MATTIAZZI, 1974).